Passaram cinco minutos, Flor volta da cozinha com uísque, cinzeiro, fósforos e maço de cigarros. Chama meu nome para ajeitar-se junto a ela no sofá. O estofado deformado e o calor pouco dissipado do rabo masculino que ali mofou, incomodou meu ego. Sentei no braço do móvel, tirei os sapatos e pisei onde aquele traseiro infeliz esquentou.

   Miro seus seios, ela solta fumaça, a conversa esta enfadonha. Ela lembra do colegial e queixa-se do cargo de sub-gerente do banco Real. Investiga a meu respeito. Minto. Em cada indagação minto descaradamente. A verdade tem que ser conquistada, essa garota busca apenas um beijo.

   Desfocado do assunto, bocejo. Ela ri duma historia, gargalha sem a minha cumplicidade. Seu rosto desfigura, o maxilar trinca, o ar acaba. Vermelha, tensa de dor, inala o que esta em volta. Deu pena. Caiu bêbada em meu peito, recuperou-se apoiando suas mãos nas minhas coxas. Piscou com vagar e num espasmo sóbrio de assustar, encarou o fundo da minha alma. Disse:

- Eu sei que você quer ir. Só sai daqui se me beijar. Tem que ser gostoso, bom, tenho que acreditar. E mais; você fica parado feito espantalho. Toca em mim quando eu mandar.

   Levantei, pus-me em frente à janela. De braços abertos pendi a cabeça Como Jesus. Crucifiquei-me de palmas esticadas. Disse:

- Beija.

   Beliscou minhas costas, mordeu a jugular. Com lábios lubrificados chupou o meu inferior. Exalou volúpia, seu tônus derreteu perdido nos meus ombros. Senti um vigor de predador. Tomei seus tufos crespos como rédeas de potranca. Sufoquei-a de ardor e com meu queixo delineei suas sobrancelhas, cílios, orelhas. Quis estrangular com frieza e cautela essa junky imunda. Por bem, passou num relâmpago, foi por pouco tempo.

   Nossa sincronia nos respiros, nossos glóbulos sanguíneos entregues à violenta paixão abateram minhas veias de piedade, compaixão. Ela ficou tão simples, tão bonita, tão calorosa e pura...

   Fotografei o crepúsculo: Cristalino, jovem, nascente púrpura.

   Brisas envolvem esse enlaço, a pela dela vira de galinha, ela encolhe seu busto no meu calor. Horas são comprimidas num afago, sinto o prazer que faz sucumbir.

Continua...



Escrito por R.J. às 11h52
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