Vamos por partes. Hoje é sexta ou sábado? Tudo bem, não importa. Eu estava ouvindo "Kind of Blue" no carro... Então saí desacompanhado. Sim, minha baset hound uivou de carência ao pressentir minha ausência quando calcei os sapatos. Copos... De vidro, baixos, com gelo e lascas de limão. Ah. Perdi meu amigo. Estávamos na Augusta, terceira dose de vodca. No fundo do copo havia três lascas de limão; é assim que calculamos nossas despesas diárias. Putz! Bêbado é uma desgraça. Eufórico, paguei todas as rodadas. Mas e agora, quem é essa? Por favor, não caia em tentação; não abra os olhos.
Ela beija mal, muita sede ao pote. Suas mãos crispadas violentam minha languidez."Assim não! ...Que susto. Ficarei aleijado. Se me der um chupão, arranco seu nariz! Vou mutilar sua língua, encalhada duma figa."
Boca pequena, lábios finos, cabelos lisos. Continuo incógnito.
Emudeceu, esta discreta, gélida. Respira pela boca, aspira rarefeita com grunhidos e chiados asmáticos. O forro desse sofá rasgou, estou enterrando esta mulher. Provavelmente uma mulher. Pele não tenra, meu tato decifra seus pés de galinha, cicatrizes ancoradas nesse corpo suado, morno, morto, passivo. Meu Deus!! Estaria eu induzindo essa penitente a padecer, a seu último suspiro? Estaria eu injetando sêmen em cadáver? Saciando minha urgência numa recém falecida? ... Graças ao senhor todo poderoso... Deu cãibra na perna dela.
Continua...