Espera aí! Esse rock inglês desconheço. Sim, algo Kink’s, underground. Diríamos, secundário. Motel está fora do baralho. No máximo, os rádios embutidos nas cabeceiras estofadas daquelas camas; as tais nos quartos com teto solar ou espelhos no forro emoldurados de neon; sintonizam a KISS FM. Quando seleciono a trilha sonora das minhas orgias, Rod Stewart goza Faces. Rock’ n’ roll ouve-se alto.
Pode ser a casa dela. E... É provável. Por que raios você não clareia na minha mente? É um erro. Alguém que desconsidero, ou melhor, finjo indiferença. Tenho terror de abrir as pálpebras. O horror tem um rosto que me flerta, conhece minha consciência. O horror... o horror...
Broxei. Ela não. OK! OK!! Já entendi. (A tortura nunca acaba). Oralmente vibrarás com minha lábia. Está mais calma, julgo que espera o expresso para o Nirvana. “ Que transa... Que homem... Meu menino... Ai meu Deus...” Elas acabam mentindo. Mulher mente sorrindo, atuam como puta sussurrante no pé do ouvido: esquece, dance comigo. Pague-me um vinho?
Sete minutos e nada. Velha encalhada. Como?! Ronco!? ... Adormeceu. Eu não disse que era o demônio pedindo carinho?! ...
Cautela, deixe-a sonhar. Suma deste antro como calafrio. Dormir no sofá, nem pensar. Amanhecer nestes braços, eu, cúmplice da ressaca alheia? Vou escorregar feito areia de ampulheta, num minuto faço-me dissolver. Não quero enxergar seus traços; se falha na memória, boa coisa não é. Vou-me embora.
Continua...
Escrito por R.J. às 18h47
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